Uma época eu era Sênior de uma empresa de auditoria e me contaram algumas histórias. Uns causos de TI. Ai vão elas:
"O causo do mouse do mainframe".
Um certo dia comum num cliente, estava lá aquela equipe de auditoria de sistemas, sem fazer nada, nem seu serviço. E lá estava também o pobre estagiário. Estagiários são criaturas engraçadas. Geralmente eles acreditam nos mais experientes da equipe sem nunca questionar o porque das coisas. Talvez seja por isso que há quem diga que "estagiário é que nem espermatozóide: só um em um milhão vira gente".
Desse modo, para matar mais rapidamente o tempo, um dos sêniors, encapetado, pediu para o estagiário zé-mané ir a um determinado setor do cliente (obviamente que era uma fábrica gigantesca e ele teria que caminhar longamente) para buscar uma peça que estava faltando para completar o trabalho: o mouse do mainframe. O moleque obviamente e muito sagaz pergunta: "Como saberei como é esse mouse. Obviamente não deve ser igual a um de micro justamente por ser o de mainframe". O sênior, canalha, já quase cagando nas calças mas mantendo a linha sem rir diz "O pessoal do departamento vai te entregar ele. Não se preocupe".
Assim que o abobado saiu, ele liga pro tal departamento (que era de TI é claro) e pede para que eles entreguem para o moleque qualquer coisa que seja pesada e tenha um fio.
Depois de caminhar mais de meia hora até o tal prédio, debaixo de um sol escaldante, o coitado chega e é recepcionado por um dos fanfarrões que iria dar continuidade à brincadeira e este lhe entrega um troço que pesava uns 3 quilos e tinha um fio. Era uma fonte. E disso boboca "Nossa, pra que um mouse tão grande assim?". "É claro que tem que ser grande, afinal, o mainframe é um computador de grande porte. Os pequenos não funcionam com ele", disse seu interlocutor. E o coitado foi embora. Novamente andou aqueles metros todos e embaixo do sol, só que desta vez com a fonte / mouse embaixo do braço.
É crianças. Depois nós não sabemos porque sofremos na mão do nosso Canho.
"O caso da chave de criptografia"
Esta foi dos idos de 2000 quando eu trabalhava na mesma empresa de auditoria como Consultor Senior em PKI. Estávamos num cliente para realizar um projeto de teste de penetração e faríamos uma consultoria em Criptografia. Dependíamos do cliente para começar o projeto e o mesmo só nos deu uma sala de reunião para ficarmos e mais nada. Enquanto ele não voltava com autorizações para início, pontos de rede que funcionassem e etc, ficávamos ali na nossa. Em dado momento, o tédio baixou e eu já pensei em me divertir. Já conhecia o pessoal de TI de lá de outros projetos e montei o esquema.
Pedi para a estagiária ir até a sessão desse meu amigo para que ele pudesse nos emprestar uma chave de criptografia que nos ajudaria no projeto. Muito solícita a estagiária foi. Logo que ela sai, já dou meu telefonema. "Cara, ela ta indo aí buscar uma chave de criptografia (e eu cascando o bico), dá qualquer bosta ai pra ela. Depois eu vou dizer que ela precisa da outra que forma o par". Tudo pronto! Trote feito.
E não é que a cabeça de piaba velha trouxe mesmo. Ele deu pra ela uma chave de armário. "Então, mas ele só te deu isso. Tem que ter o par da chave. Se não tiver o par a gente não consegue decriptar a mensagem. Volta lá que ele vai te dar a outra. Ah, mas tem que ser uma dourada tá?".
E laiá. Depois pergunta porque a gente hoje se ferra.
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